terça-feira, 16 de novembro de 2010

Esportividade vence na Fórmula 1

O esporte muitas vezes escreve certo por linhas tortas. A Ferrari foi a única equipe a escancarar o polêmico jogo de equipe - digo polêmico pois alguns apoiam, outros condenam. Isso, como todos nós lembramos, aconteceu no GP da Alemanha, 11ª etapa do Mundial de Fórmula 1, quando os 'poderosos' de Maranello determinaram que Felipe Massa, então líder absoluto da prova, deveria dar passagem ao companheiro Fernando Alonso.

Pois bem, ao término da temporada, oito etapas depois da lambança - que parece fazer parte da tradição ferrarista - , os comandados de Luca di Montezemolo não têm absolutamente nada a comemorar. No Mundial de Pilotos, vice com Alonso. No Mundial de construtores, terceira posição, atrás da campeã Red Bull e da McLaren.

Esses resultados mostram uma temporada equilibrada e justa. Justa para quem, antes dos interesses 'particulares', priorizou o esporte. A esportividade. O torcedor. Palmas, neste quesito, para a Red Bull. Campeã de tudo, desde o início deixou que Sebastian Vettel (campeão é queridinho do time, inegavelmente) e Mark Webber brigassem dentro da pista. Quando algo de 'estranho' aconteceu, como no GP da Inglaterra, quando deram uma asa dianteira diferente para o alemão, o australiano foi lá, venceu e mandou o recado: "nada mal para um segundo piloto!"

Essa disputa aberta, sem beneficiar este ou aquele, colou em um certo ponto da temporada o campeonato de ambos os pilotos em risco. O melhor carro, insicutivelmente, poderia não ser campeão ameaçado por Alonso e toda a equipe Ferrari que, depois da primeira metade do campeonato passou a trabalhar apenas para o espanhol. Vettel e Webber andaram se encontrando na pista, como no GP da Turquia.

Mas entrou em cena um tal de Dietrich Mateschitz, dono da Red Bull, que, admirador do esporte - incrível como essa marca de bebida energética patrocina esportes, esportistas e equipes pelo mundo - , não permitiu que fosse feito jogo de equipe. Entre os pilotos da equipe austríaca, a história do Mundial de Pilotos da Fórmula 1 seria definida no asfalto. E foi! Meus parabéns ao comando da Red Bull que, apesar de nova, tem muito a ensinar a algunas escuderias experientes - né, Ferrari!

A McLaren também deixou que Lewis Hamilton e Jenson Button brigassem dentro da pista, não privilegiando este ou aquele, como fez no final dos anos 1980 entre Ayrton Senna e Alain Prost. Quando a escuderia inglesa optou por favorecer um piloto em detrimento do outro, como em 2007, quando deu tudo a Hamilton e nada a Alonso, o campeão foi Kimi Raikkonen, da Ferrari - que naquela temporada fez um jogo de equipe menos, digamos, 'injusto'.

Muitas vezes o esporte é injusto. Nem sempre o melhor vence - pelo menos na Fórmula 1 é assim. Mas desta vez, na temporada de 2010, o esporte premiou quem deveria premiar. Colocou na história quem merecia entrar. Desta vez, os deuses do esporte disseram "não" ao jogo de equipe...

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