A falsidade, infelizmente, se faz presente em muitas áreas – para não dizer em todas. Digamos que, na Fórmula 1, ela é obrigação entre os poderosos. Não tem um ‘ali’ de terno que não apele constante mente para discursos que não dá para acreditar. Não é possível crer. Um desses atende pelo nome de Jean Todt e ocupa simplesmente o cargo máximo do automobilismo Mundial: é presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo).
Pois bem. Nesta quinta-feira, em entrevista a um jornal italiano, o ‘pequeno francês’ declarou que se “arrepende” de ter ordenado que Rubens Barrichello desse passagem a Michael Schumacher no GP da Áustria de 2002, época em que era diretor esportivo (manca-chuva) da Ferrari. “Eu me arrependo porque, olhando para o passado, vejo que poderia ter sido evitado, porque Schumacher acabou vencendo o campeonato. Mas eu me arrependeria ainda mais se eu tivesse perdido o título por dois pontos”, disse Todt, lembrando que naquele ano Schumacher foi campeão com 144 pontos e Barrichello foi vice, com 67.
Eu não acredito neste tipo de discurso. ‘Mea culpa’ oito anos depois no posto de presidente da FIA soa, para mim, como pura falsidade. Pode arrancar elogios de alguns, que acreditam que ele está realmente arrependido. A mim nenhuma ‘vírgula’ convence. Se pudesse voltar no tempo, tenho certeza absoluta que Jean Todt faria a mesma coisa. E vamos deixar claro uma coisa. Foi este tipo de postura, relegando a esportividade a um segundo plano em detrimento de interesses ‘ferraristas-schumaquianos’, que o levaram à Presidência da FIA.
Para o francês, os fins justificam os meios. Não podemos esquecer, por exemplo, que ele não se intrometeu na polêmica do GP da Alemanha deste ano, quando a Ferrari – sempre ela – ordenou que Felipe Massa, então líder absoluto, desse passagem a Fernando Alonso que não conseguia ultrapassa-lo na pista. Lembremos que a escuderia de Maranello levou uma multinha básica para amansar um pouco a imprensa, mas quando sentou no banco dos réus saiu absolvida, sem que os pilotos ou mesmo ela perdessem os pontos. Jean Todt se calou...
Para o francês, os fins justificam os meios. Não podemos esquecer, por exemplo, que ele não se intrometeu na polêmica do GP da Alemanha deste ano, quando a Ferrari – sempre ela – ordenou que Felipe Massa, então líder absoluto, desse passagem a Fernando Alonso que não conseguia ultrapassa-lo na pista. Lembremos que a escuderia de Maranello levou uma multinha básica para amansar um pouco a imprensa, mas quando sentou no banco dos réus saiu absolvida, sem que os pilotos ou mesmo ela perdessem os pontos. Jean Todt se calou...
RUBENS BARRICHELLO – Nesta mesma entrevista, o presidente da FIA arrumou um jeito de dividir a culpa de um dos maiores escândalos da F1 – acho que só perde mesmo para o GP de Cingapura que envolveu Renault, Flávio Briatore, Nelsinho Piquet e Fernando Alonso (olha o espanhol ai metido em mais uma bafafá) – com Rubens Barrichello. De acordo com ele, o brasileiro não deveria ter dado passagem para Schumacher faltando poucos centímetros para a linha de chegada.
“Eu não deveria ter dito nada. Acertamos antes: ‘Se você está na frente após o pit-stop, você tem de deixar Schumacher passar, sem criar confusão.’ Na verdade, um piloto é pago para aceitar certas decisões. Em vez disso, ele ficou na frente. Chamei-o umas cinquenta vezes, bem claro. Ele abriu na última curva, o público vaiou, Schumacher cedeu o primeiro lugar na cerimônia do pódio e a Ferrari foi multada pela violação do acordo em US$ 500 mil”, disse Todt.
Na real, Jean Todt, naquele dia vaias foram pouco para você, para a Ferrari, Schumacher e Barrichello. Muito pouco mesmo...
Na real, Jean Todt, naquele dia vaias foram pouco para você, para a Ferrari, Schumacher e Barrichello. Muito pouco mesmo...
Ele devia ter ficado quieto.
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